segunda-feira, 20 de maio de 2013
Lá é que se está bem... Diz ele
Sempre aprendi que o exibicionismo ou a gabarolice não é correcto. Isto é, o nosso valor tem que ser reconhecido por terceiros e não proclamado ou vangloriado por nós mesmos.
Seguir esta maneira de estar na vida é saber ser-se humilde.
Venho aqui dar-vos a conhecer um sujeito português na casa dos sessenta anos. Passou certa de quarenta anos da sua vida emigrado na Alemanha e à cerca de quatro decidiu retornar à sua pátria a fim de ter uma vida mais recatada e gozar de alguns rendimentos que tem.
Conheci este sujeito à menos de um mês por intermédio da empregada de um restaurante que frequento que é a actual companheira do senhor. Por alguma educação eu e o meu "grupo" das refeições temos acolhido o ex-emigrante na nossa mesa quando a situação se proporciona.
Das primeira vezes como nos estava-mos a conhecer e a falar ambos um pouco sobre o seu passado e respectivas profissões confesso que até houve alguma conversa lucrativa sobre modos de vida, cultura e afins de outros países.
Logo de inicio notei alguma vaidade pessoal do senhor pois este monopolizava a conversa conforme bem entendia, deixando os restantes membros um pouco incomodados.
Em menos de um mês tornou-se quase membro assíduo à nossa mesa nas refeições.
Com o desenrolar das conversas este sujeito cada vez que falar 2 ou 3 frases é para denegrir Portugal.
"A justiça portuguesa é muito lenta" "O governo português é só corrupção" "Já perdi x€ aqui porque é só vigaristas" . E as frases deste senhor acaba sempre com uma comparação de como são as coisas na Alemanha e de como é tão bom viver-se lá.
Ainda ontem almoçava connosco e no final do almoço proporciona-se a habitual cerimónia de os fumadores acenderem o cigarro e desfrutarem do momento à mistura com algumas bebidas espirituosas e algum diálogo descontraído.
O sujeito pseu.português tirou a sua caixa de cigarrilhas e colocou-a em cima da mesa. Extraiu uma cigarrilha e acabado de a acender comentou com o resto da mesa que estava de olhos postos na televisão "São francesas. Fui de propósito a Espanha para comprar 10 caixas. Aqui em Portugal são muito caras". Ninguém comentou. Apenas alguns anuíram com as cabeças. Eu por outro lado, como curioso, peguei no telemóvel e fiz uma rápida pesquisa na internet para comprar preços. Acabei por descobrir que o que o senhor poupa no preço das cigarrilhas é à volta de 15€, ora mais que isso gasta ele a ir lá.
Ora bem aqui está uma boa oportunidade de o senhor ter estado calado pois ninguém lhe perguntou nada sobre que tabaco fumava.
Infelizmente o que eu venho a ver nestes dias é que este é mais uma daquelas pessoas a viver das aparências e que afinal o seu pecúlio de que tanto falava não será assim tão afortunado. Ou seja, se soubesse estar calado e se fosse humilde talvez não se tornasse alvo de conversas secundárias.
Estes sucessivos episódios fazem-me lembrar uma vez, numa viagem a Bragança, quando vinha de regresso para casa, parei num hiper.mercado para comprar uns packs de águas e um pão para a viagem. Chegado à caixa para pagar a minha frente estava uma família em que o homem era emigrante em França. Chegou a vez deles para pagar e o senhor começou a falar para a a rapariga da caixa em francês, mas naquele tipo de francês de << Moi.. Je....>> A pessoa da caixa lá com alguma dificuldade lá despachou o senhor. Quando no momento de agarrar nos sacos o senhor com a familia começam a sorrir e o tal homem virando-se para o seio familiar começa a comentar qualquer coisa da empregada em português.
Ou seja falou em francês com a empregada só para a diminuir e para se evidenciar. Eu tenho o francês como segunda língua materna. Escusado será dizer que aos meus olhos o senhor só me deu vontade de rir com o seu pseudo.francês. Mas contive-me por educação.
Relembrando este episódio é o que me faz lembrar agora este ex-emigrante português na Alemanha.
Mas neste caso só me dá vontade de encher os pulmões de ar e dizer - Se Portugal é assim tão mau, porque voltou para cá? -
Mais uma vez, não o faço por educação. Por isso deixa-os falar. Deixa-os pavonearem-se e espalharem-se à vontade.
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)

Sem comentários:
Enviar um comentário