sexta-feira, 31 de maio de 2013

A Madrinha


Ao fim de 6 anos, mais para mais do que para menos, re-vi a minha madrinha. Penso até que última vez que a vi foi no meu baptizado à 10 anos, - sim eu baptizei-me com 9 anos. Nunca recebi uma prenda dela, nem as minhas ligações por ela foram assim muitas. Mas por incrível que pareça sempre me lembro de gostar muito dela, de a ter em conta como boa pessoa e muito simpática. 
Entrei-a na quarta cá pelo escritório, ou melhor, ela é que me encontrou a mim. Veio cá em trabalho e eu nem sabia. Sabia que provavelmente ela vinha mas nunca foi confirmado. 
Estava eu sentado, a fazer um esforço enorme para comer um belo de cozido à portuguesa, quando uma das portas do restaurante se abre e por entre elas passa uma senhora de média estatura de cabelo preto e olhos castanhos. Fiquei com a sensação de já a conhecer de algum lado. Mas fiquei com certeza de quem era quando ela se dirigiu à nossa mesa.
Era a minha madrinha que já no mínimo à meia dúzia de anos que não sabia nada dela. 
Já não me lembrava da cara dela, mas parecia-me familiar. No entanto achei curioso, por me lembrar da voz dela. Sim, a minha memória auditiva nestes 19 anos nunca me traiu, já a visual desvanece com uma certa fluidez.

Hoje a madrinha está cá de novo. Sabem que mais? É estranho vê-la duas vezes na mesma semana. Mas pronto. Que venha mais vezes 


segunda-feira, 20 de maio de 2013

Lá é que se está bem... Diz ele


Sempre aprendi que o exibicionismo ou a gabarolice não é correcto. Isto é, o nosso valor tem que ser reconhecido por terceiros e não proclamado ou vangloriado por nós mesmos.
Seguir esta maneira de estar na vida é saber ser-se humilde.

Venho aqui dar-vos a conhecer um sujeito português na casa dos sessenta anos. Passou certa de quarenta anos da sua vida emigrado na Alemanha e à cerca de quatro decidiu retornar à sua pátria a fim de ter uma vida mais recatada e gozar de alguns rendimentos que tem.
Conheci este sujeito à menos de um mês por intermédio da empregada de um restaurante que frequento que é a actual companheira do senhor. Por alguma educação eu e o meu "grupo" das refeições temos acolhido o ex-emigrante na nossa mesa quando a situação se proporciona.
Das primeira vezes como nos estava-mos a conhecer e a falar ambos um pouco sobre o seu passado e respectivas profissões confesso que até houve alguma conversa lucrativa sobre modos de vida, cultura e afins de outros países.
Logo de inicio notei alguma vaidade pessoal do senhor pois este monopolizava a conversa conforme bem entendia, deixando os restantes membros um pouco incomodados.
Em menos de um mês tornou-se quase membro assíduo à nossa mesa nas refeições.
Com o desenrolar das conversas este sujeito cada vez que falar 2 ou 3 frases é para denegrir Portugal.
"A justiça portuguesa é muito lenta" "O governo português é só corrupção" "Já perdi x€ aqui porque é só vigaristas" . E as frases deste senhor acaba sempre com uma comparação de como são as coisas na Alemanha e de como é tão bom viver-se lá.
Ainda ontem almoçava connosco e no final do almoço proporciona-se a habitual cerimónia de os fumadores acenderem o cigarro e desfrutarem do momento à mistura com algumas bebidas espirituosas e algum diálogo descontraído.
O sujeito pseu.português tirou a sua caixa de cigarrilhas e colocou-a em cima da mesa. Extraiu uma cigarrilha e acabado de a acender comentou com o resto da mesa que estava de olhos postos na televisão "São francesas. Fui de propósito a Espanha para comprar 10 caixas. Aqui em Portugal são muito caras". Ninguém comentou. Apenas alguns anuíram com as cabeças. Eu por outro lado, como curioso, peguei no telemóvel e fiz uma rápida pesquisa na internet para comprar preços. Acabei por descobrir que o que o senhor poupa no preço das cigarrilhas é à volta de 15€, ora mais que isso gasta ele a ir lá.
Ora bem aqui está uma boa oportunidade de o senhor ter estado calado pois ninguém lhe perguntou nada sobre que tabaco fumava.

Infelizmente o que eu venho a ver nestes dias é que este é mais uma daquelas pessoas a viver das aparências e que afinal o seu pecúlio de que tanto falava não será assim tão afortunado. Ou seja, se soubesse estar calado e se fosse humilde talvez não se tornasse alvo de conversas secundárias.

Estes sucessivos episódios fazem-me lembrar uma vez, numa viagem a Bragança, quando vinha de regresso para casa, parei num hiper.mercado para comprar uns packs de águas e um pão para a viagem. Chegado à caixa para pagar a minha frente estava uma família em que o homem era emigrante em França. Chegou a vez deles para pagar e o senhor começou a falar para a a rapariga da caixa em francês, mas naquele tipo de francês de << Moi.. Je....>> A pessoa da caixa lá com alguma dificuldade lá despachou o senhor. Quando no momento de agarrar nos sacos o senhor com a familia começam a sorrir e o tal homem virando-se para o seio familiar começa a comentar qualquer coisa da empregada em português.
Ou seja falou em francês com a empregada só para a diminuir e para se evidenciar. Eu tenho o francês como segunda língua materna. Escusado será dizer que aos meus olhos o senhor só me deu vontade de rir com o seu pseudo.francês.  Mas contive-me por educação.

Relembrando este episódio é o que me faz lembrar agora este ex-emigrante português na Alemanha.
Mas neste caso só me dá vontade de encher os pulmões de ar e dizer - Se Portugal é assim tão mau, porque voltou para cá? - 
Mais uma vez, não o faço por educação. Por isso deixa-os falar. Deixa-os pavonearem-se e espalharem-se à vontade.

domingo, 19 de maio de 2013

Com os problemas alheios podemos nós bem


O titulo deste post poderá parecer um tanto ou quando egoísta mas é o que a maioria das pessoas pensa. Vendo alguém com algum problema há sempre dois tipos de pessoas. O primeiro tipo é aquele que não se liga muito à conversa e aproveita a primeira oportunidade para sair devido à falta de paciência para alimentar a conversa. Depois há um segundo tipo de pessoas. Aquelas pessoas que não fazem nada por elas próprias mas que dão mil e um conselhos a quem os precisa. Sinceramente nunca percebi este segundo tipo de pessoas. Sim, acredito que seja mais fácil queixarmos-no e dar conselhos aos outros do que levantar a cabeça e enfrentar os nossos problemas.

Foi este segundo tipo de pessoas que me fez andar um pouco afastado socialmente nestes últimos dias desde o meu regresso da minha pequena viagem. Esta viagem de 3 dias fora despertaram em mim certas emoções e fizeram renascer certas lembranças que eu as julgava à muito esquecidas. Quando regressado da jornada dei por mim a percorrer o blog e a dar mais atenção ao que uma dada personagem ia escrevendo. A nostalgia instalou-se juntamente com incertezas e medos. Como se não bastasse este turbilhão de emoções momentâneas ainda comecei a ser bombardeado por curiosos intriguistas que nos espremem num interrogatório incansável às refeições e na primeira oportunidade que apanham. Dei por mim a afastar-me da rotina diária e a entreter-me de novo com as leituras.

A ver se é desta que acabo a Maorgadinha dos Canaviais de Júlio Dinis.

sábado, 4 de maio de 2013

Saber para quê? Não vele a pena... Ou será que vale?.. Não, deixem estar

Que titulo estranho escolhi eu para este post que estou escrevendo ouvindo algumas músicas de Elvis Presley.

Bom o que estou a ouvir não é relativamente importante para o tema deste texto, mas apenas decidi partilhar convosco. Ora bem, venho partilhar com vocês o que me anda a acontecer à cerca de 3 semanas para cá. Pois bem, ultimamente tenho andado a ser mais expressivo, tentar demonstrar aos outro o meu conhecimento partilhar ideias e afins. O que acontece é que detecto algumas hostilidades por parte das pessoas com quem falo. Venho falar-vos de 3 pessoas que costumam almoçar comigo desde à cerca de 3 semanas. Vamos-lhes chamar a Maria, o José e o Alberto.
No final do almoço à sempre aquelas conversas que não interessam a ninguém mas que vão ter sempre a temas interessantes quando devidamente aprofundados. Normalmente o Alberto é sempre aquele que fala mas que "normalmente" o que ele vai de encontro às minhas ideias, por isso há sempre uma simpatia da parte dele quando intervém nas conversas. É daquelas pessoas que gosta de aprender embora já tenha por volta dos 65/66anos. José, sensivelmente da mesma idade de Alberto, é a pessoa da qual sinto mais hostilidades.
Para ele a história não interessa para nada. "O que é que me interessa saber quem é que foi o rei não sei quantos? Não é isso que me dá de comer e não vejo que interesse tenha isso para o teu futuro", é o que ele me diz quase cada vez que falo, adaptando a frase ao tema da conversa em questão.
A Maria é daquelas pessoas que diz que uma pessoa em coma não respira e que nem sabem o que foi a II Grande Guerra. Para ela uma pessoa que tenha um objecto é porque acredita no simbolismo dele e não porque gosta dele. Ideia essa que lhe perguntei que se por eu ter um copo com a cruz suastica algures nos confins lá de casa quer dizer que acredito nas ideias nazis e que sou nazi?. Ela disse "isso não. isso é diferente" ao qual eu lhe perguntei se uma pessoa que use uma dessas medalhas "para dar sorte" num fio tem que acreditar em bruxas e afins?. Ela disse que se usa é porque acredita. Eu retorqui então eu tenho um objecto com a cruz suastica em casa sou nazi!. E ela continua a dizer que é diferente.
Sim caros leitores, eu tenho um copo com a cruz suastica algures numa gaveta em casa. Mas o copo não é meu. Esse copo foi oferecido ao meu avô à muitos muitos anos -ainda no tempo do Salazar-. E o meu avô como o objecto lhe foi oferecido ele guardou-o ao longo dos anos. E pronto. Daí o objecto ainda durar nos dias de hoje. Estará certamente nalguma gaveta para o sótão.

Voltando ao tema do texto. Sou estudante. Adoro aprender coisas novas. Adoro Física, Matemática, Astronomia e coisas do género. Ao mesmo tempo adoro Filosofia, Psicologia e tudo relacionado com letras. Gosto do saber.
Cada vez que tenho falar sobre estes temas com as pessoas que me rodeiam sou sempre olhado com algum desdém. José desinteressado de tudo e que o que sei não serve para nada. Maria uma ignorante que só sabe falar mal da vida dos outros, e que tentar-lhe explicar algo é a mesma coisa que falar com uma parede pois ela em vez de tomar atenção só se ri da ignorância dela. Alberto quando intervém é só para falar algo completamente a leste do tema ou é para concordar comigo, por isso nunca enriquece muito o diálogo.

Agora analisem comigo a situação. Quando mudei de escola e no 9ºano comentei com a minha professora de físico-química que a massa dos corpos dobram o Espaço-Tempo... "teoria da relatividade", essa professora no dia a seguir falou com a minha mãe a perguntar se eu era sobre.dotado. Aliás já era a 2º pessoa a perguntar o mesmo.
Hoje em dia, se eu disser isso à mesa com as pessoas que me rodeiam, um diz que sim, o outro diz que isso não contribui em nada para o dia-a-dia nem para o me futuro, a outra mete-se a olhar para mim com cara de parva e começa a sorrir do nada e a abanar a cabeça. E mais tarde comenta "ele bem tenta explicar mas a gente não sabe por isso não podemos entender". Se eu estou a tentar explicar tentam acatar o que digo em vez de se rirem e afins.
Sinceramente cada vez mais me sinto desmotivado para ir à escola ou fazer alguma coisa relacionada com "aprender", pois toda a gente desvaloriza. Tecnicamente estou a aprender para nada, ninguém quer saber. Estou a cansar-me para o o boneco. Mas mesmo assim continuo a querer aprender. Pode ser que um dia no meio de 7 biliões de pessoas, alguma me dê o devido valor.
O que mais me custa é que a personagem a quem chamei José neste texto (nome fictício), é o meu pai, visto que ao contrário de me apoiar e de me incentivar para aprender faz o contrário. Talvez seja da idade. Mas o que é certo é que eu há uns tempos tinha bem definido o meu percurso académico e agora não tenho ideia nenhuma do que quero. E claro a média também caiu exponencialmente. Sim porque simplesmente estou mal acompanhado.

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Uma experiência ao acordar


Esta noite foi uma noite para esquecer. Mal dormi. Quando preguei olho passadas 2h acordei. Quando acordei lembro-me de estar de costas para a janela. Eram cerca das 6;20h da manhã, a primeira coisa que me lembro de ver foi um feixe de luz vindo da janela. Estava de costas para a janela. Queria ver de onde vinha tanta luz mas não me conseguia mexer. O silêncio reinava na aurora. Conseguia pensar. Pensei por quanto tempo iria estar sem me conseguir mexer. queria voltar a cabeça para ver de onde vinha tanta luz e não conseguia queria mexer as pernas e os braços mas nem os sentia, era eu, a luz da aurora e o silêncio. Só conseguia pensar, ver e ouvir.
Finalmente passados uns 30/40segundos que me pareceram uma eternidade consegui mexer as pernas e logo no instante a seguir já me consegui voltar para a janela e todo o meu corpo voltara à normalidade. Peguei no telemovel para ver as horas. ainda era cedo para me levantar, mas não tinha sono.
Abri a app do Twitter para me entreter a passar o tempo. Abri também a app quiosque vodafone para ver as capas de jornais.
Paralelamente abri o safari e fui pesquisar sobre o que me tinha acabado de acontecer.

Aconteceu-me aquilo que se chama a Paralisia do sono. É nada mais nada menos que uma paralisia do corpo logo após ao acordar ou no momento antes de adormecer. Acontece quanto o cérebro acorda num estado REM, em que o nosso corpo está com o metabolismo baixo e os músculos são paralisados para evitar possíveis lesões enquanto dormimos. Ou seja, quando acordei, já estava acordado mas o meu cérebro ainda "pensava" que eu estava a dormir. Daí ter ficado paralisado uns segundos. Foi o tempo que demorou o cérebro perceber que já estava acordado e a "dar" vida de novo aos meus músculos.
Parte boa, a maioria das vezes que isto acontece as pessoas recordam como tivesse sido um sonho.

Parabéns Benfica !

Ontem o Benfica lá ganhou ao fenerbahce. Jogou bem. Não sou benfiquista mas fico contente quanto um clube do meu país faz boa figura em competições internacionais. 
Por isso, parabéns ao Benfica e que derrotem o Chelsea!