quinta-feira, 11 de abril de 2013

"Depois logo vemos isso.."


No hall de entrada lá da empresa tenho um armário com variados tipos de charutos para venda. Numas das suas visita prolongadas, António - a mesma personagem do último post -, comentou uma caixa de MonteCristo nrº 4 que lá tenho no intuito que eu lhe desse um desses charutos. Como já sei que a seguir ao primeiro pedido vem sempre outros mais descartei-me do pedido dizendo "Sim, depois logo vemos isso", com um certo tom de o "logo" não se concretizar.

Há dois dias que António voltou e uma das primeiras observações que me fez foi "Da última vez esqueci-me de lhe pedir o charuto que me disse que dava". Eu  por minha vez já nem me lembrava de tal episódio e esquivei-me dizendo que também me tinha esquecido, mas rapidamente mudei de tema de conversa para não alimentar mais a história. António por sua vez, uma cavalheiro na casa dos 70's, habituado a fumar charutos e cigarrilhas disse em tom de brincadeira "Vou apontar aqui na agenda do telemovel a dizer -Cha- para não me esquecer de o lembrar" ...

António segundo ouvi dizer, viveu uma temporada em Londres, mas penso que não aprendeu muito com a cultura inglesa. Os britânicos têm um velho hábito de quando estão num grupo à mesa e que nessa mesa se encontra alguém que acabaram de conhecer, os britânicos têm a cortesia de o convidar para jantar lá a casa (há uma frase idiomática mas eu agora não me recordo). Mas surpreendentemente o convite nunca mais avança e o jantar nunca se realiza. Pois bem, eles só falam no tal convite para serem simpáticos, é uma espécie de "protocolo de simpatia" que eles lá têm para se demonstrarem amáveis. Ora bem eu quando disse da primeira vez a António que logo se via a questão dos charutos foi na mesma linha deste hábito britânico atrás descrito. Fui cortês mas não iria dar charuto nenhum. Mas parece que ele não percebeu isso.
Agora cada vez que se cruza comigo aqui no escritório me fala em "chá".
Moral da história, lá vou ter que lhe um charuto para ele se calar e para a próxima arranjo uma desculpa para não dar.
A velha desculpa de "Não sei onde anda a chave, tenho de procurar" deve ainda de funcionar, penso eu de quê.

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