domingo, 19 de julho de 2015

Desafio 50 Livros - 22


Sempre gostei deste género de livros, onde há conspirações e onde é falada a forma como os intervenientes contornam os problemas, e gosto mais ainda se a história for uma história real ou que se baseie em factos reais. Neste conta-nos como, no período pós 25 de Abril, algumas famílias mais ricas do país presenciaram as suas empresas a serem nacionalizadas. No inicio o livro começa logo com a detenção dos membros da família Espírito Santo. Depois retrocede alguns anos e dá-nos a perspectiva de como eram as famílias Melo, Champalimaud e Espírito Santo. Fala-nos dos negócios que pertencem a estas famílias os seus membros e alguns escândalos inerentes. Depois narra-nos a detenção dos membros de cada famílias, do que foram acusados e o tempo em que tiveram presos. Narra-nos também algumas formas que eles usaram para salvaguardar o dinheiro e jóias. Desde planos mais elaborados em termos jurídicos tal como tornar independente uma sucursal em Paris de um dos bancos portugueses que estava a ser nacionalizado, ao uso de malas diplomáticas para fazer sair algum dinheiro do país, à manipulação de atas e procurações para os antigos administradores poderem livremente movimentar os bens da empresa fora do país. Também há acções mais simples e que até são um tanto ou quanto "à filme" tal como António Champalimoud ir à Suiça onde o seu banco tinha conta de dinheiro relativos "ao saco azul" e levantou o dinheiro todo dessa conta -cerca de 3 milhões de dólares- e levou o dinheiro numa pasta para o outro lado da rua onde foi depositar o dinheiro numa conta noutro banco a titulo pessoal. Também situações mais simples mas que mostram a astúcia feminina tal como, uma senhora do clã Espírito Santo, que para levar um centro de mesa da Companhia das Índias para fora do país fingiu que ia a um casamento - vestiu-se a preceito- e fez um leite creme para levar para o casamento, na fronteira foi revistada e cortaram partes do leite creme para ver se não ia nada lá escondido e não encontraram nada. Ninguém se apercebeu que o verdadeiro tesouro era mesmo a travessa em que a sobremesa era transportada, aqui demonstra bastante como simples actos podem resultar tão bem ou melhor, sem levantar suspeitas, do que os actos tão elaborados juridicamente. 

Continuação de boas leituras.  

Sem comentários:

Enviar um comentário