segunda-feira, 7 de julho de 2014

E se eu não quiser o que quero?



Ontem estive numa das minhas cidades portuguesas preferidas. Plantado à beira Sado dei por mim a pensar de como seria a minha vida diferente se morasse ali. Pensei nos amigos que tenho ali, pensei no movimento que tem a cidade, nas praias, nas pessoas, nos cafés, no clima, no sol, em tudo... Ao pé de isto tudo qualquer tipo de bairro hostil passa-me ao lado, parece que é tudo fantástico naquilo em que nós gostamos. 
Ao mesmo tempo dei por mim a pensar no que me fazia querer sair de onde estou. Porquê sair? Será que me sinto preso de mais aqui ou será que não há nada que me prenda aqui? Estas perguntas entrelaçaram-se na minha cabeça. Tentei da-lhes respostas mas só encontrei mais perguntas. Na verdade a única explicação que encontro é que só quero sair daqui porque não há nada que me prenda aqui. Não há nada que eu goste aqui. Não tenho cá ninguém, não tenho para onde ir, não tenho cá nada.
Talvez este seja o grande motivo de detestar o meu habitat e de "ambicionar" algumas cidades do país, principalmente onde estão aquelas pessoas a quem nós chamamos de amigos. Pessoas essas que nos "arrancam" de nós mesmos e nos suscitam a vontade de viver e de continuar. 
Com isto tudo regressei a perguntar, "Quem sou eu?" "O que faço aqui?" "Para onde devo de ir?" "O que vai ser de mim?". Não encontro respostas mas uma coisa é certa,  nunca me identifiquei tanto com a primeira estrofe da "Tabacaria" de Álvaro de Campos..
Com isto tudo... Será que sou o que penso?

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