quinta-feira, 5 de março de 2015

Desafio 50 Livros - 5


Um livro que me impressionou. Retrata um sujeito que está sentado ao balcão de um bar em Macau a beber uns copos de whisky. Por entre a bebida esta narrativa vai vagueando pelas memórias deste professor universitário. Desde a sua infância, a um casamento falhado a uma relação com um irmão que era um tanto ou quanto enigmático. 
Acima de tudo este livro faz-nos refletir na vida e na forma como os acontecimentos se desenrolam. 

Gostei especialmente da forma em que a história é escrita. O livro está escrito de forma em que somos a própria personagem. Passa de assunto e de acontecimentos de forma um tanto ou quanto interligada mas um pouco "abrupta", estamos a falar de um acontecimento e depois começa a falar d'outros acontecimentos distintos. Agradou-me esta forma de apresentar o texto pois é assim que acontece na nossa cabeça. Quando estamos a pensar também mudamos de assuntos de forma abrupta, os pensamentos vão e vêm de forma abrupta mas interligada. 
Gostei também do ambiente em que o narrador se encontra. Um bar em que todos falam uma língua estranha e em que ele para comunicar é basicamente por gestos pois a empregada não fala inglês. Esta diferença de línguas eu interpreto que há um paralelismo com o nosso interior e os outros. Muitas vezes o que vai no nosso interior aos olhos dos outros é imperceptível e quando tentamos exprimir muitas vezes sintetizamos por receio de sermos mal interpretados ou até mesmo com o medo de estar em contacto connosco mesmo. Há todo um mundo no nosso interior mas é difícil os outros compreenderem esse mundo. Leio também esta barreira como uma "critica" às limitações do ser-se empático, do conseguir metermos-no na pele dos outros, mas com "bilhete de ida e volta".

Para concluir,  aconselho este pequeno livro - cerca de 90 páginas - a quem procure uma leitura ligeira mas que nos deixa a pensar em pequenos pormenores. O livro lê-se muito bem, li-o em cerca de 2/3h e é empolgante. 


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