quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Desafio 50 livros - 2

 
Findei esta manhã a leitura do meu 2º livro para o desafio. Confesso que há mais de um ano que o tinha na mesa de cabeceira para o ler mas acabei sempre por deixar para depois visto que eu o queria ler com calma para saborear esta obra queirosiana. 
Eça é um dos meus autores preferidos, por isso li este romance com uma certa dedicação extra que não dedico a outros autores.

Esta obra fala-nos de Jacinto, um jovem fidalgo português que viveu em Paris e que sempre foi apaixonado pela civilização. Jacinto pertencia a uma familia rica e que tinha várias quintas em Portugal, sendo que a história se desenrola entre Paris e Tornes no Douro. 
Jacinto moço supercivilizado que já tinha todo o tipo de material sofisticado em casa, com uma biblioteca com cerca de 30 mil volumes, começou a cair numa profunda melancolia e a deixar-se consumir pelos males da cidade, pois na cidade havia uma rotina diária e nada mudara. Depois foi força a ir para a sua quinta de Tornes. Jacinto que tudo o que tinha a ver com campo abominava ficou "apaixonado" pela vida campestre e rapidamente recuperou as suas energias que houvera perdido.
Na companhia de Jacinto estará sempre presente Zé Fernandes seu fiel amigo que por seu lado é mais ligado à vida campestre e vai com alguma frequência estando a par das coisas que se passam pelas suas terras. 
Com estas reflexões de Jacinto deixo aqui um excerto do livro em que a personagem desabafa ao seu amigo que o acompanha em todo o livro Zé Fernandes sobre o estilo de vida que tivera outrora;

"Cocei o queixo, desconsolado:
  - Ora ora... Um homem tão esperto, tão expedito, que fazia tanta honra ao progresso! Tudo para Espanha!... E mandaste vir?
  - Não! Talvez mais tarde... Agora, Zé Fernandes, estou saboreando esta delicia de me erguer pela manhã, e de ter só uma escova para alisar o cabelo.
Considerei, cheio de recordações, o meu amigo:
  - Tinhas umas nove.
  - Nove? Tinha vinte! Talvez trinta! E era uma atrapalhação, não me bastavam!... Nunca em Paris andei bem penteado. Assim com os meus sessenta mil volumes: eram tantos que nunca li nenhum. Assim as minhas ocupações: tanto me sobrecarregavam, que nunca fui útil! "

Podemos ver aqui uma pequena reflexão de Jacinto que ilustra um pouco a "marionete" em que a sua super-civilização o tornou e que agora está a encontrar a sua verdadeira felicidade e sentido de vida no campo.
Cheio de descrições que o nosso Eça sempre se esforçou para nos prendar este livro é realmente interessante com muitas reflexões sobre os estilos de vida e acaba com um excelente resumo do que é afinal essa civilização parisiense. 

Aconselho vivamente o livro a todos os leitores.

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