sábado, 28 de novembro de 2015

Desafio 50 Livros - 44


Hoje este livro que vos trago é do género que sempre me despertou a curiosidade. Saber o que se passa nos bastidores da história. Neste caso o tema retratado é a chegada do FMI a Portugal, de como foram feitas as negociações e a saída do governo de Sócrates para dar lugar ao governo de Passos Coelho.
Este livro conta passagens que aconteceram no dia-a-dia, tendo os acontecimentos organizados por datas. Fala dos passos dado pelo governo na altura em vigor e pelos passos dados pela oposição liderada por Passos Coelho. Fala-nos também da interveniência do Presidente da República Cavaco Silva.
Achei especialmente interessante este livro porque primeiro tem as noticias dos jornais e os acontecimentos bastante bem organizados por ordem cronológica. Segundo porque há poucos livros a tratar destes assuntos políticos nos tempos modernos. Normalmente este tipo de livros só aparecem escrito alguns anos após o sucedido. Para além disto tudo o livro está escrito de uma forma bastante simples e acessível a todos os leitores.
Aconselho vivamente o livro a quem gosta destes assuntos de política e a quem gosta de saber um pouco das coisas que se vai passado nos "bastidores". 

Boas leituras!!

domingo, 22 de novembro de 2015

Desafio 50 Livros - 43


Um livro no âmbito do curso. Neste livro Freud reúne uma série de perspectivas sobre as afasias. Uma afasia é uma perturbação adquirida da linguagem devido a lesão. Isto é, antes da lesão o individuo falava correctamente sem nenhum problema e depois do acidente/lesão começou a apresentar perturbações na linguagem. 
Freud debruça-se sobre alguns dos tipos da afasias e tenta "contestar" as ideias da época apresentando casos clínicos reais e ideias de vários autores sobre a mesma patologia. Freud neste livro conduz-nos para um panorama geral do que se conhecia na época sobre este tipo de patologia, sobre as vários diagnósticos e ainda sobre onde se localizavam. Grande parte deste pequeno livro é a discutir sobre onde se localizam os centros da linguagem no encéfalo e o porquê de lesões nessas áreas por vezes não terem o efeito esperado. Discute-se também o fenómeno da plasticidade cerebral. 
Não encarei este livro como algo de novo para o mundo da medicina/psicologia. Encaro este livro como uma relação bibliográfica onde o fundador da Psicanálise reúne varias visões sobre o mesmo problema e tenta disseca-las questionado-as sempre ou com base em casos clínicos ou com base em outros autores.
Um livro interessante para quem gosta da área da neuropsicologia mas que contem alguns termos técnicos o que torna um livro um pouco de difícil leitura para quem não está identificado com o ramo.

Boas Leituras. 

sábado, 21 de novembro de 2015

Desafio 50 Livros - 42


Já andava há uns bons anos para leste este livro e este mês lá foi, acabei-o anteontem e não me desiludiu. Este livro trata de Humbert relatar a sua história num depoimento que escreve enquanto recluso. Humbert recua até à infância passada na Suíça. Recorda a sua primeira namorada e as suas primeiras experiências intimas meio de fugida que aconteciam longe dos olhares dos adultos. Essa sua primeira namorada acabou por adoecer e falecer, facto que viria a influenciar a sua vida adulta. Humbert à medida que se vai tornando adulto continua a sentir-se atraído por raparigas no inicio da adolescência a que ele chama de "ninfetas". Já na idade adulta recorre bastante a prostitutas jovens sem se preocupar com as mulheres da sua idade. Após alguns problemas psicológicos, muda-se para a América onde se hospeda numa casa onde conhece Lolita.
Lolita era filha da dona da casa e desde cedo prende a atenção do académico europeu. O protagonista acaba por se casar com a mãe de Lolita só para continuar próximo da jovem adolescente. Lolita acaba por ficar orfã e fica a cargo de Humbert, que de imediato a decide levar numa viagem de carro pelos EUA onde aí acaba por ir mantendo relações intimas com Lolita. Acabam por se instalar numa pequena cidade para Lolita prosseguir os estudos com o narrador sempre bastante controlador. Acabam por fazer uma 2ª viagem pelos Estados Unidos onde a adolescente arma uma teia para fugir das garras do seu padrasto. Lolita foge, Humbert enlouquece. Passa dois anos à procura de Lo, onde acaba por desistir até receber noticias da sua enteada. Aí acaba por encontrá-la gravida e casada. Num momento de loucura decide procurar o sujeito que a ajudou a fugir e acaba por encontrar, invade a casa dele e assassina-o. Foge, mas acaba por num momento de insanidade ser preso. 
Em termos gerais, mas muito gerais é esta a história. 

Gostei bastante do livro, o que me prendeu mais foi o impacto psicológico. No início achei bastante estranho este fascínio por crianças, até mesmo repugnante. Mas no fundo lá me habituei ao modo de escrita de Nabokov. É uma escrita muito directa onde os sentimentos são explícitos e onde vagueamos pela mente perturbada de Humbert. Percebemos o impacto que teve uma memória mal resolvida de infância na vida adulta, neste fantasma, no poder do inconsciente, nestas pulsões e impulsos que o protagonista não consegue controlar. A forma com isto tudo é descrito achei deveras interessante.

Aconselho o livro para quem quiser experimentar algo de novo e de qualidade. 

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Desafio 50 Livros - 41


Primeira vez que li Dostoiévski. Este livro contém dois contos. O primeiro dá titulo ao livro. Trata de um homem de quem toda a gente se ri, mas toda a gente o acolhe de bom grado. O próprio tem consciência de que é ridículo. E porque é que o acham ridículo? Pois bem é isso de que trata o conto. O protagonista era um homem alheado de tudo, nada lhe fazia sentido nada lhe tocava a alma. Para ele nada tinha significado. Cansando-se desta vivencia ele decide suicidar-se. Porque? Só porque sim. Vivia numa casa com outros inquilinos e até todos se davam bem. Nessa noite a caminho de casa uma rapariga a pedir socorro, que ele se nega, lhe atormenta a alma. Após chegar a casa colocou o revolver em cima da mesa para se matar. Adormeceu. Durante o sonho, viu a sua própria morte e visitou um planeta distante igual à Terra, um verdadeiro paraíso. Após a chegada dele essa paraíso desmorona-se em crime, desonestidade e uma panóplia de heresias. Após acordar o protagonista sente que foi a sua maneira de ver o mundo que causou todo o mal da sociedade é ele o culpado e tornou-se assim uma espécie de mensageiro que doutrinou o bem e tentava combater os males da sociedade. Era esta a razão de ele ser ridículo. Ninguém o levava a sério.

O segundo conto entitulado "O Ladão Honesto" trata de um indivíduo que alugou um quarto de sua casa a um alfaiate ex-militar. Certo dia entra um ladrão no hall da casa e roupa uma gabardina do dono da casa. Todos ficam indignados por não poderem ter feito nada para evitar a tal maçada. Certo dia à mesa o hóspede conta uma história sua.  Havia um senhor muito pobre a quem ele costumava dar guarida. Esse senhor era um alcoólico e todo o dinheiro que tinha era para o álcool. Certo dia desapareceram duas peças de roupa que o alfaiate andava a costurar. Após grande azafama ninguém descobriu o ladrão embora sempre suspeitasse do pobre homem. Esse homem decide parar de beber, mas acaba por adoecer. Após adoecer e a relação de ambos ter esfriado o pobre homem decide, às portas da morte, confessar o crime. Fora ele o ladrão.

No fundo estes dois pequenos contos fazem um escrutínio do ser-se pessoa. muito carregado de simbolismo e sentimentos. No primeiro conto, o suicídio é tratado como uma solução mas que há beira de se matar o homem descobriu o sentido para a vida. Afinal o que ele precisava era que alguma coisa lhe desse sentido lhe fizesse sentir e que lhe desse algum alento à alma. Nó fundo os males da sociedade acontecem devido a darmos pouca importância ao que temos e ao nosso ser egoísta. É esta carga simbólica que retiro do primeiro conto.
Do segundo conto retiro o poder da amizade, de lealdade e do ajudar o próximo, pois mesmo sabendo quem era o ladrão o lesado nunca deixou de o ajudar e de lhe dar alguma dignidade até aos últimos momentos. Mesmo depois do crime confessado o criminoso foi perdoado. Porquê? Porque sempre fora uma pessoa honesta que caiu nos vis braços do alcoolismo mas não foi por isso que deixou de ser um bom homem. Por mais delitos que façamos ou por mais comportamentos desviantes que tenhamos, se, na nossa essência temos bom caráter iremos sempre no fundo ser boas-pessoas porque é o que está na nossa génese embora em certas alturas por questões do meio ambiente tenhamos que cometer ou não certos actos que nos envergonhem. Foi o que aconteceu ao pobre homem que para acalmar o vicio roubou. Não foi por maldade, foi mesmo para alimentar o vicio. Apercebendo-se disso o amigo nunca o abandonou embora a relação tenha esfriado. 

Aconselho a todos a lerem estes dois contos. São muito interessantes e no meu caso atiçou-me a curiosidade para ler outras obras de Dostoiévski